quarta-feira, 15 de julho de 2015

WALT WHITMAN - OH CAPTAIN! MY CAPTAIN!

Walt Whitman (1887) por George Collins Cox 

Tenho lido várias traduções para o brasileiro deste poema de Walt Whitman, escrito em memória de Abraham Lincoln e citado no filme “Sociedade dos Poetas Mortos” de Peter Weir.
Quanto ao título, eco principal do poema, as traduções – inclusive as referências no filme – são literais. Ó Capitão, meu Capitão! – diz o refrão, a princípio em tom exclamativo, mas que aos poucos irá se transformando num lamento.
Entretanto, discordo dessa tradução literal. Aqui no Brasil ao Capitão de um navio, nave ou aeronave – figura principal do poema – dá-se o nome de Comandante, coisa que enriqueceria em muito a tradução.
Apesar do tom eloquente e chamativo que tem “Ó Capitão, meu Capitão!”, entre nós essa expressão remete imediatamente à patente militar – que não seria a intenção do poeta.
Então, Capitão é o militar. Já o Comandante é o líder que arrebata, aquele que dirige, que manda, é o chefe que ordena e governa.  
Aproveitando várias traduções lidas, compus uma versão livre, que vai a seguir, acentuando essa diferença.


OH CAPTAIN! MY CAPTAIN!
BY WALT WHITMAN

O Captain! my Captain! our fearful trip is done,
The ship has weather’d every rack, the prize we sought is won,
The port is near, the bells I hear, the people all exulting,
While follow eyes the steady keel, the vessel grim and daring;

                         But O heart! heart! heart!
                            O the bleeding drops of red,
                               Where on the deck my Captain lies,
                                  Fallen cold and dead.

O Captain! my Captain! rise up and hear the bells;
Rise up—for you the flag is flung—for you the bugle trills,
For you bouquets and ribbon’d wreaths—for you the shores a-crowding,
For you they call, the swaying mass, their eager faces turning;

                         Here Captain! dear father!
                            This arm beneath your head!
                               It is some dream that on the deck,
                                 You’ve fallen cold and dead.

My Captain does not answer, his lips are pale and still,
My father does not feel my arm, he has no pulse nor will,
The ship is anchor’d safe and sound, its voyage closed and done,
From fearful trip the victor ship comes in with object won;

                         Exult O shores, and ring O bells!
                            But I with mournful tread,
                               Walk the deck my Captain lies,
                                  Fallen cold and dead.

Ó COMANDANTE! MEU COMANDANTE!
POR WALT WHITMAN

Ó Comandante! Meu Comandante! A terrível viagem terminou;
Bem dirigida a nave venceu a tormenta, o triunfo ansiado chegou;
O porto está próximo, lá longe ouço os sinos, o povo todo exulta,
Enquanto fixa o olhar confiante na quilha do navio raivoso e audaz;

Mas ó coração! Coração! Coração!
  Ó gotas vermelhas, sangrento horto,
    No convés o meu Comandante jaz,
      Está caído frio e morto.

Ó Comandante! Meu Comandante! Levanta-te e ouve os sinos;
Levanta-te – a bandeira tremula para ti – soam para ti os clarins,
Para ti láureas e buquês com fitas – para ti o povo nas ruas;
Por ti todos celebram, a multidão vibra com os rostos ansiosos;

Aqui Comandante! Querido pai!
  Eis sob a cabeça algum conforto!
    É um pesadelo ver que no convés,
      Tu estás caído frio e morto.

Meu Comandante não responde, seus lábios estão pálidos e hirtos;
Meu pai não sente o meu braço, não tem mais pulso nem alento;
O navio está ancorado a salvo e seguro, o trajeto findo e terminado;
Da tétrica viagem a audaz nave chega com o desígnio alcançado;

Exulta ó cercania, e repiquem ó sinos!
  Mas eu amargurado de passo absorto,
    Vagueio no convés onde meu Comandante
      Repousa caído frio e morto.

Source: Leaves of Grass (David McKay, 1891

Versão livre: Salomão Rovedo
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