terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Epopeia do Campeonato Brasileiro de Xadrez 1927-2008

Waldemar Costa
 
Epopeia do Campeonato Brasileiro de Xadrez 1927-2008
Editora Solis – 2009
 
Os primeiros dias de janeiro de 2015 me deram a alegria de reencontrar um grande amigo: Waldemar Costa, jornalista, historiador e romancista – que durante décadas fez parte da equipe do Jornal dos Sports (o ‘cor-de-rosa’), de Mário Filho onde, extra-pauta, assinava uma coluna diária de xadrez, sempre carente na imprensa. Editou por anos a Revista Caissa e o semanário Xadrez Expresso. Além disso Waldemar Costa ainda encontra tempo e joga xadrez, participa da Federação, dirige o Departamento de Xadrez do Jacarepaguá Tênis Clube,  e foi co-fundador do Praça Seca Xadrez Clube.    

Waldemar Costa, bairrista por excelência, nasceu em Jacarepaguá e ali vive até hoje, sem perder nenhuma oportunidade de divulgar a história de seu lugar. Sobre o bairro já publicou os livros “O Vale do Marangá” e “Imagens de Jacarepaguá”.

Na sua página na internet, http://www.wsc.jor.br, Waldemar Costa historiou os  “Governantes de Jacarepaguá”, a “Paróquia de N. S. de Loreto”, recuperou as fotos antigas do bairro em “Imagens de Jacarepaguá” e desvendou o  “Significado dos nomes das ruas de Jacarepaguá”. Quer dizer, em http://www.wsc.jor.br  se encontra um verdadeiro manancial de informações sobre o bairro de Jacarepaguá e adjacências, onde Waldemar Costa nasceu, estudou, cresceu e sempre residiu.  

Como romancista Waldemar Costa já publicou “O Estigma da Cruz de Rubis”, “O Paraíso Azul” e “O Ferrador”, romance de época que daria excelente série ou filme ou novela, se os diretores não fossem tão corporativistas e burros, laureando-se mutuamente, sem olhar em volta.  

O xadrez nos uniu em grande amizade e foi visitando a Associação Shalom Aleichem, que realizava o Torneio Aberto da Fexerj 2015, onde o reencontro se deu. Waldemar Costa divulgava ali a 2ª edição do livro “Epopeia do Campeonato Brasileiro de Xadrez 1927-2008” (Editora Solis 2009), que, por inexplicável que seja, permanecia engavetado  na editora, sem distribuição. Antes que apodrecesse Waldemar Costa resgatou a publicação que está sendo avidamente comprada pelos xadrezistas e se esgotará em pouco tempo. Empresários brasileiros...

Para Waldemar Costa a republicação de “Epopeia do Campeonato Brasileiro de Xadrez 1927-2008” guarda, no íntimo, outra emoção que não seja o significado do fato em si. É que a 1ª edição do livro (saída em dois pequenos volumes em edição limitada), teve e participação e atuação decisiva de dona Lina de Mello Costa, mãe do autor, que atuou como pesquisadora, na editoração e como revisora. Além disso, dona Lina não hesitava em ‘agredir’ o filho com o indispensável e rigoroso estímulo, instigando-o à persistência num tempo em que não existia internet. Esse trabalho minucioso, de formiga, foi bem descrito pelo Campeão Brasileiro de Xadrez, Hermann Claudius van Riemsdijk, no Prefácio ao volume.  

Por que os livros feitos à moda antiga, isto é, em papel, letras e tinta, são e serão importantes? Porque as informações contidas em “Epopeia do Campeonato Brasileiro de Xadrez 1927-2008” não se encontra em outra parte, inclusive na internet. Precisava ver como os participantes do torneio se aproximaram do livro de Waldemar Costa, folhearam as páginas, devorando, comiam as informações enciclopédicas e, por fim, não se importando com a idade da pedra do livro de papel, compraram e carregaram como tesouro, preciosidade. Em pouco tempo o estoque acabou e não tinha mais nenhum – Waldemar Costa voltou com a mochila vazia.   

O livro está cheio de informações históricas, ali estão os campeões do passado, é narrada uma pré-história do xadrez aqui no Brasil, que Waldemar Costa situa no século XIX. Tenho cá minhas dúvidas, pois o tabuleiro de xadrez era – junto com o baralho – peça indispensável nos baús, porque serviria para distrair a tripulação do estresse de que era vítima nas caravelas de antanho. É caso para pesquisar...  

Para mim “Epopeia do Campeonato Brasileiro de Xadrez 1927-2008” trouxe outras emoções. Li nele informações, as imagens, as partidas de xadrez e muitas notícias sobre pessoas amigas com as quais tive o prazer da convivência durante a participação dos torneios. Amigos que não estão mais entre nós, amigos que estão dispersos pelo sopro dos tempos, cada qual levado pelas responsabilidades da vida.  

Entre muitos deles minha lembrança caiu em José Soares Másculo, jovem Campeão Brasileiro Juvenil,  5º lugar invicto no 44º Campeonato Brasileiro de 1978. Além das qualidades enxadrísticas, Másculo também era, apesar de jovem, muito responsável com a ética no esporte. Pelo seu talento, José Soares Másculo teria pela frente não só o título de Grande Mestre, como também o futuro como dirigente, capaz de elevar com responsabilidade o nome do xadrez brasileiro. Abatido por doença grave, José Soares Másculo teve a carreira enxadrística interrompida prematuramente...  

E agora que fiquei chateado, triste com essa lembrança, não conto mais nada. Quem quiser saber mais ou adquirir “Epopeia do Campeonato Brasileiro de Xadrez 1927-2008”, entre em contato com Waldemar Costa e corra porque a edição está acabando.  

Rio de Janeiro, Cachambi, 27 de janeiro de 2015.  
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