sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Nelson Motta vs Zé Dirceu




O meu amigo Carlos Benites me enviou, direto de sua base da tranquilidade em Maricá, o artigo de Nelson Motta (O Estado de São Paulo).
“Se o mensalão não tivesse existido, ou se não fosse descoberto, ou se Roberto Jefferson não o denunciasse, muito provavelmente não seria Dilma, mas Zé Dirceu o ocupante do Palácio da Alvorada, de onde certamente nunca mais sairia.  Roberto Jefferson tem todos os motivos para exigir seu crédito e nossa eterna gratidão por seu feito heroico:  "Eu salvei o Brasil do Zé Dirceu". Em 2005, Dirceu dominava o governo e o PT, tinha Lula na mão, era o candidato natural à sua sucessão.  E passaria como um trator sobre quem ousasse se opor à sua missão histórica.  Sua companheira de armas Dilma Rousseff poderia ser, no máximo, sua chefe da Casa Civil, ou presidente da Petrobrás. Com uma campanha milionária comandada por João Santana, bancada por montanhas de recursos não contabilizados arrecadados pelo nosso Delúbio, e Lula com 85% de popularidade animando os palanques, massacraria Serra no primeiro turno e subiria a rampa do Planalto nos braços do povo, com o grito de guerra ecoando na esplanada:  "Dirceu guerreiro/do povo brasileiro".  Ufa! A Jefferson também devemos a criação do termo "mensalão".  Ele sabia que os pagamentos não eram mensais, mas a periodicidade era irrelevante.  O importante era o dinheirão.  Foi o seu instinto marqueteiro que o levou a cunhar o histórico apelido que popularizou a Ação Penal 470 e gerou a aviltante condição de "mensaleiro", que perseguirá para sempre até os eventuais absolvidos. O que poderia expressar melhor a ideia de uma conspiração para controlar o Estado com uma base parlamentar comprada com dinheiro público e sujo?  Nem Nizan Guanaes, Duda Mendonça e Washington Olivetto, juntos, criariam uma marca mais forte e eficiente. Mas, antes de qualquer motivação política, a explosão do maior escândalo do Brasil moderno é fruto de um confronto pessoal, movido pelos instintos mais primitivos, entre Jefferson e Dirceu.  Como Nina e Carminha da política, é a história de uma vingança suicida, uma metáfora da luta do mal contra o mal, num choque de titãs em que se confundem o épico e o patético, o trágico e o cômico, a coragem e a vilania.  Feitos um para o outro. O "chefe" sempre foi José Dirceu.  Combativo, inteligente, universitário - não sei se completou o curso - fala vários idiomas, treinado em Cuba e na Antiga União Soviética, entre outras coisas.  E com uma fé cega em implantar a Ditadura do Proletariado a "La Cuba". Para isso usou e abusou de várias pessoas e, a mais importante - pelos resultados alcançados - era Lula.  Ignorante, iletrado, desonesto, sem ideais, mas um grande manipulador de pessoas, era o joguete ideal para o inspirado José Dirceu. Lula não tinha caráter nem ética, e até contava, entre risos, que sua família só comia carne quando seu irmão "roubava" mortadela no mercado onde trabalhava.  Ou seja, o padrão ético era frágil.  E ele, o Dirceu, que fizera tudo direitinho, estava na hora de colher os frutos e implantar seu sonho no país. Aí surgiu Roberto Jefferson...  e deu no que deu.” 
Ao fim, Benites comenta: "A análise de Nelson Motta está perfeita". Não está não, amigo Benites. Primeiro, Nelson Motta já escreveu melhor, o texto está horrível, digno do Enem. Segundo, o seu (dele) pensamento congelou no tempo – Ditadura do Proletariado a "La Cuba"? Faz-me rir... O que temos implantada no Brasil é a ditadura política, ditadura de controle pelo Estado, o moderno Nazifacismo, que entrou goela abaixo com o nome de Globalização. Basta ver a repressão violenta contra as manifestações. Estimulada por TODOS os governadores. Essa repressão é supra-partidária, nesse contexto Dilma Russef, Barack Obama, Bachar al Assad e Vladimir Putin são iguais. Nelson Motta sabe de tudo isso, mas finge que não sabe. Hoje, setembro de 2013, o julgamento dos réus do mensalão corre sério risco de virar uma pizza gigantesca. Nelson Motta finge não perceber, porque é um burguês inserido no contexto. Não sei se levou algum $ da Comissão da Verdade, como todos do Pasquim. Se recebeu, não vai cuspir no prato que comeu. Amigo Benites, se você analisar bem tudo que está escrito nesse artigo, vai ver que é um amontoado de besteira, sem utilidade alguma para a história contemporânea. E Roberto Jefferson não merece nada: ele só denunciou a pilantragem porque foi traído, não recebeu o cala-a-boca a que tinha direito, segundo a sua (dele) ética. 
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