quinta-feira, 18 de julho de 2013

Baderneiros, Anarquistas, Vândalos, Bárbaros e o 14 de julho

A história está repleta deles e não são poucos os que atravessaram os séculos e permanecem vivos entre nós. Os vândalos, povo germânico, nos cinco primeiros séculos dC conquistaram a Europa e dominaram os romanos. Filho ilegítimo do rei vândalo Godegisilo, Genserico nasceu em 389. Foi escolhido rei, com a morte do irmão. Brilhante na arte militar, Genserico lutou para aumentar o poder e a prosperidade do povo. Em 429 foi para a África, atraído pelas riquezas e fertilidade da região. 80.000 vândalos cruzaram o estreito de Gibraltar na primavera de 429, desembarcando em Ceuta. Depois de vencer os romanos, ficaram com um território que compreendia o Marrocos até o norte de Argélia. Os romanos conservaram apenas Cartago. Em 439 Genserico tomou Cartago, capturando a frota romana. Essa ação fez dos vândalos donos do Mediterrâneo, invadindo as Ilhas Baleares, Córsega, Sicília e Sardenha.

O Bárbaro Átila foi um dos líderes guerreiros mais violentos e temidos da antiguidade. Viveu no século V, liderou os povos hunos. Comandou ações militares na Europa, invadiu o Império Romano, saqueando e destruindo cidades na região do Danúbio e nos Bálcãs. Atacou também a Gália (atual França). Com a aliança que firmou com outros povos bárbaros, chegou a imperar sobre a região entre o Mar Cáspio e o rio Reno. Tentou dominar Constantinopla, mas não conseguiu derrotar o exército bizantino. Exigiu do Papa Leão I um dote para não saquear as cidades italianas. Átila passou para a história por ser cruel e violento. Apelidado de “o flagelo de Deus”, quando entrava nas cidades vencidas, ordenava a destruição de casas e a execução de prisioneiros, para demonstrar poder e despertar o medo nos inimigos. 

Dizem que o Anarquismo nasceu com a Revolução Francesa e se reafirmou com a Comuna de 1871, quando criou o primeiro governo operário da história, formado por operários, representantes de bairro, a guarda nacional e a milícia formada por cidadãos. A primeira proclamação do Comitê foi “a abolição do sistema da escravidão do salário”. A guarda nacional e soldados amotinados massacraram os comandantes; o governo oficial fugiu com tropas leais; Paris ficou sem autoridade. O Comitê Central – formado por cidadãos livres de todas as classes – preencheu o vácuo e se instalou na prefeitura. Eleições foram realizadas na forma de democracia direta. A polícia foi abolida, a educação secularizada, a previdência social foi instituída, o inquérito sobre o governo anterior decidiu por trabalhar no sentido da abolição da sujeição ao salário. A recém-nomeada Comuna de Paris introduziu mais reformas do que todos os governos nos dois séculos anteriores:

A Catedral de Brea, erguida em memória de repressores da Revolução de 1848, foi abaixo;
A Igreja perdeu subvenções;
O espólio sem herdeiro passou a propriedade do Estado;
A jornada de trabalho foi reduzida;
A pena de morte foi abolida;
A Bandeira Vermelha adotada como símbolo da Unidade;
As finanças foram reorganizadas, incluindo correios, assistência pública e telégrafos;
A educação gratuita, secular e compulsória, foi implantada;
Foi instalado um comitê para organizar a ocupação de moradias;
Criou-se um plano para rotatividade de trabalhadores;
Imagens de bronze foram derretidas e comissões foram criadas nas Igrejas;
Instituiu-se a igualdade de condições entre os sexos;
Inaugurou-se o escritório central de imprensa;
Integrantes do Governo incluíam nacionais e emigrantes;
O cargo de juiz se tornou eletivo;
O casamento se tornou gratuito e simplificado;
Foi instituído o ensino noturno ;
As escolas foram obrigadas a aceitar alunos de ambos os sexos;
O Estado e a Igreja foram separados;
O Internacionalismo tornou irrelevante o fato de ser estrangeiro;
O monopólio do advogado e as taxas jurídicas foram abolidos;
O salário dos professores foi duplicado;
O serviço militar obrigatório e o exército regular foram abolidos;
O trabalho noturno além da jornada foi abolido;
O Calendário Revolucionário foi instituído;
Oficinas foram reabertas para que cooperativas fossem instaladas;
Artistas assumiram a gestão de teatros, editoras e outras atividades artísticas;
Os sindicatos foram legalizados;
Fundou-se a Escola Nacional de Serviço Público;
Criou-se um projeto de autogestão de fábricas e indústrias;
Residências vazias foram desapropriadas e distribuídas entre os sem teto;
Testamentos, adoções e contratação de advogados se tornaram gratuitos;
Todos os descontos em salário foram abolidos;

"Todo aquele que contesta a autoridade e luta contra ela é um anarquista" (Sebastien Faure). Posso lembrar aleatoriamente muitos desses homens e mulheres que se celebrizaram por serem diferentes, por defenderem a humanidade, por serem antibelicistas, por críticas às falsas democracias, por condenarem as invasões a países independentes, por defenderem a autodeterminação dos povos – por muitas outras coisas que palacianos, reis, presidentes, emires, ditadores e congressistas acham ser natural e normal. Não é.

Joana D’Arc, Giuseppe e Anita Garibaldi, Galileu, Jota Cristo, Teresa de Calcutá, Ghandi, Proudhon, Tolstoi, Lênin, Godwin, Thoreau, Bakunin, Kropotkin, Durutti, Guevara, Groucho e Karl Marx, Simone de Beauvoir, Adele Popp, Mary Wollstonecraft – gente a lista é muito grande – mas são essas as sementes das manifestações que assolam o país de cabo a rabo. E acreditem: as manifestações, passeatas, protestos e vandalismos não vão parar enquanto mudanças não foram feitas pelos que estão isolados nas ilhas e paraísos políticos do Brasil. E não adianta mais aquelas mudanças fingidas, drecretinhos de faz-de-conta. Políticos, empreiteiros corruptos, todos ouçam com muita atenção: a redoma se quebrou! Ou tudo muda ou cantaremos a (nossa) marselhesa:

MARSELHESA BRASILEIRA

Avante! filhos do Brasil 
O dia da glória chegou 
A bandeira da corrupção 
Contra nós se levantou. 

Mãos nas armas cidadãos! 
Formai vossos batalhões! 
Marchemos, ataquemos! 
Às centenas, aos milhões.

Enfrentemos os policiais 
Os gases, balas de borracha 
Os políticos corruptos cairão 
Ante nossa invencível marcha.

Às armas cidadãos do Brasil! 
Formai vossos batalhões! 
Marchemos, defendamos,
O sangue dos bravos irmãos.

Tremam políticos e ladrões!  
Tremam todos os partidos 
Os empreiteiros corruptos 
Vão receber o merecido.
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