segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Somerset Maugham e a Arte de Escrever

Somerset Maugham é um escritor daqueles cuja técnica de contar histórias lembra os alfarrabistas orientais: ora é o memorialista, ora o narrador onipresente, ora o fabulista. As histórias se espelham continuadas vezes, andam em zigue-zague, dão respiros inesperados e por vezes parecem devaneios. Nada daquela definição de um crítico que li no Caderno Literário do jornal O Globo, de que o conto deve ser como uma porrada! São histórias curtas que se desfibram e correm amenas como as águas do riacho.

Maugham começa o Prefácio com a seguinte advertência: “Rogo ao leitor que não se deixe iludir pelo fato de estas histórias serem contadas na primeira pessoa do singular, supondo que elas tenham acontecido a mim”. Assim, pensa ele livrar-se de vez do vínculo com que a primeira pessoa do singular agarra o narrador à narrativa. No entanto, como que para deixar o leitor desconfiado com essa absolvição, Maugham entremeia as narrativas com singulares enxertos, quando o narrador acaba por confessar a sua atividade de escritor. 

Esse estilo lembra em muito o diretor Alfred Hitchcock que promovia aparições rapidíssimas em seus filmes, a ponto de deixar os espectadores sempre em suspense também por esse detalhe. No mais puro estilo Onde está Willy? os seus admiradores ficavam apostando em qual sequência ele apareceria. Ali, numa fila de entrada do cinema, outra vez subindo os degraus do ônibus, sentado num banco de praça lendo o jornal, numa cadeira de engraxate lustrando os sapatos. Com essas súbitas aparições, nas quais a expressão era sempre tão misteriosa quanto o próprio filme, o narigão empinado para o alto, Hitchcock divertia os espectadores ao mesmo tempo em que se divertia. 

Também Somerset Maugham aparece de relance nas suas novelas. Outras vezes busca citar outros escritores, fazendo-os personagens da história. Então levanta-se a dúvida, o mistério: deve ou não o leitor acreditar que as histórias contadas na primeira pessoa do singular são autobiográficas? Porque ao mesmo tempo em ele pede “ao leitor que não se deixe iludir” pelas histórias “contadas na primeira pessoa do singular, supondo que tenham acontecido a mim”, o texto está constantemente contaminado com referências literárias, tanto diretas quanto indiretas. 

Na novela “Para inteirar a dúzia”, lá pelas tantas se lê o seguinte diálogo:
“– Mr. Saint Clair lhe envia os seus cumprimentos e pergunta se o senhor não podia fazer o favor de emprestar-lhe o Almanaque Whitaker.
– Fiquei assombrado.
– Por que julgará ele que eu tenho o Almanaque Whitaker?
– Bem, a gerente disse-lhe que o senhor é escritor.”

De entremeio aparecem Thackeray, Trollope, Dickens e William Black. Os diálogos se sucedem:
“– Desculpe, senhor, mas é verdade que estou falando com o conhecido novelista?
– Sou novelista – respondi – mas que foi que o velou a supor isso?
– Vi o seu retrato nos jornais ilustrados." 

Assim as citações vão se sucedendo, eis algumas delas: 

“Não era um humorismo de ideias, nem mesmo de palavras; era algo muito mais sutil ainda, um humorismo de pontuação: num momento inspirado ela havia descoberto as possibilidades cômicas do ponto-e-vírgula, de que fazia abundante e primoroso emprego. Sabia colocá-lo de tal forma que, em sendo o leitor uma pessoa de cultura dotada de um agudo senso de humor, não digo que desatasse às gargalhadas, mas soltava risinhos deleitados, e quanto mais cultura tinha maior era o seu deleite.  Diziam os seus amigos que essa forma de humor fazia com que todas as outras parecessem grosseiras e exageradas. Vários escritores tinham tentado imitá-la, mas em vão: qualquer que fosse a opinião que se fizesse de mrs. Albert Forrester, era forçoso confessar que ela sabia extrair do ponto-e-vírgula até a última gota de humor e ninguém lhe chegava aos pés nessa especialidade.” (O impulso criador)

“Minha mocidade lá se foi, tornei-me um homem maduro e não estava longe o dia em que me caberia o qualificativo de idoso; escrevi livros e peças, viajei, tive aventuras, amei, desamei.” (A semente exótica)

“Li os dois livros. Acho que é obrigação profissional do escritor manter-se ao corrente do que os seus contemporâneos escrevem. Estou sempre disposto a aprender e pensei encontrar neles alguma coisa útil para mim. Foi uma decepção. Gosto que as histórias tenham começo, meio e fim. Tenho um fraco pela intenção. Admiro a atmosfera, mas a atmosfera sem outra coisa é como uma moldura sem quadro: não tem grande significado. Entretanto, é possível que eu não pudesse apreciar os méritos de Humphrey Carruthers por causa dos meus próprios defeitos e, se descrevi sem entusiasmo os seus dois contos de maior sucesso, a causa talvez esteja na minha vaidade melindrada. Sim, porque eu sabia perfeitamente que Humphrey Carruthers me considerava um escritor sem importância. Estou convencido de que ele jamais leu uma palavra escrita por mim. Bastava a popularidade de que eu gozava para persuadi-lo de que eu não merecia a sua atenção.” (O elemento humano)

“–Bobagem! Por que não escreve uma história e respeito? 
– Eu?
– Sabe que essa é a grande vantagem que o escritor tem sobre as demais pessoas. Quando alguma coisa o faz sofrer horrivelmente, quando se sente torturado e infeliz, pode pôr tudo numa história e é surpreendente o conforto e o alívio que retira daí.
– Seria monstruoso. Betty era tudo no mundo para mim. Eu não poderia cometer ato tão vil.
Calou alguns instantes e o vi refletir. Percebi que, apesar do horror que a minha sugestão lhe causava, ele considerava por um minuto a situação do ponto de vista do escritor. Sacudiu a cabeça.
– Não por causa dela, mas por mim. Afinal eu tenho algum amor-próprio. E além disso, aí não há material para uma história.” (O elemento humano)

Por essas e por outras que esse é um prefácio que vale a pena conferir. Com a palavra Sir W. Somerset Maugham: 

Há, para o escritor, três maneiras de contar uma história. Pode fazê-lo do ponto de vista Divino, como quem sabe tudo que é possível saber a respeito de seus personagens. Vê todas as suas ações e deles conhece os pensamentos mais íntimos. Foi neste plano que se escreveram muitos romances entres os maiores da literatura mundial e foi também nele que se colocaram Maupassant (1) e Tchecov (2) para escrever muitos dos seus melhores contos. É um método simples e bom. Seu inconveniente está na impessoalidade, pois o autor falta ao compromisso, quando começa a comentar pessoalmente os personagens, os respectivos problemas ou atitudes, como o fizeram muito amiúde Trollope (3) e Thackeray (4). Nesse caso ele passa a fazer parte da história exatamente como se fosse um de seus atores. A objetividade dá muitas vezes uma leve sensação de aridez. A objetividade completa é coisa talvez inatingível. Com efeito, ela daria, em resultado, romances de tamanho excessivo e tornaria quase impossível a história curta. Todos os personagens são considerados do seu próprio ponto de vista, pois que cada um de nós se reveste de suprema importância para si mesmo e não há razão para que o autor dê mais atenção a este do que àquele. No momento em que escolhe uma pessoa entre várias para fazer uma descrição mais pormenorizada, deixa de ser rigidamente objetivo. Logo que a sua simpatia entra em jogo, ele se torna parcial. É, provavelmente, o interesse dirigido que torna legível uma obra de ficção. “A educação sentimental” de Flaubert (5) é, creio eu, um dos raríssimos exemplos em que o autor alcançou a objetividade completa. Mas o efeito geral é de tédio, porque ao invés de concentrar o nosso interesse ele o dispersou com toda a imparcialidade. Outra dificuldade do método está no sem-número de coisas que o autor deve saber ou fingir que sabe. Seria preciso ter na unha todos os conhecimentos armazenados na Enciclopédia Britânica e estar familiarizado com as profissões de todas as suas personagens. Como isso é impossível, nota-se nele a tendência de se limitar aos ambientes de que tem experiência própria e colocar as suas personagens nos quadros sociais que conhece pessoalmente. 

Outro método de contar uma história – método que por algum tempo gozou de considerável preferência – é fazê-lo do ponto de vista de uma das personagens. Pode ser esta uma das que representam papel essencial na história ou um simples observador – a este último chamarei o método Seu-Amigo-Carlos. Seu-Amigo-Carlos faz o papel do coro dos dramas gregos. Observa e comenta. Está ali para que lhe exponham circunstâncias de que o leitor deve ter conhecimento e de vez em quando toma parte discreta e secundária na ação. É um mensageiro útil. Pode servir para complicar uma situação ou deslindar um mistério. Para o autor, ele apresenta a vantagem de poder ser caracterizado. Existe, contudo, o perigo de que ele lhe dedique demasiada atenção, tornando-o tão interessante que obscureça as pessoas e incidentes sobre os quais está encarregado de lançar luz. Além disso, como ele deve estar envolvido em todas as questões e, no interesse da marcha da história, conservar os ouvidos abertos a tudo que se passa, corre muitas vezes o perigo de parecer um bisbilhoteiro e um intrometido chato. Henry James (6), que fez uso do método com grande perícia, dando-lhe assim a fama de que ele já gozou, nem sempre soube evitar esse escolho. Talvez seja preferível o outro plano, que consiste em narrar uma história através de uma das suas personagens principais ou mesmo do protagonista. É muito natural focalizar neste o interesse e, vendo pelos seus olhos tudo quanto se passa, atraímos para ele a simpatia do leitor. Isso limita o assunto de maneira muito conveniente, pois, quer contemos a história do ponto de vista do protagonista, quer de Seu-Amigo-Carlos, não precisamos dizer ao leitor senão aquilo que a personagem em apreço sabe. Encaramo-la pela face interior e às demais, pela exterior. Só nos interessam as suas impressões sobre elas. É um método cuja economia agrada e a unidade de efeito que dele resulta possui uma elegância formal. O único defeito real que percebo aí é a unilateralidade. Facilmente se tem a impressão de que as outras pessoas da história não são tratadas com espírito equitativo. Isso constitui uma desvantagem quando sentimos a necessidade de conhecer o pensamento das outras personagens. Ao chumbar os seus dados o autor provocou o nosso descontentamento. 

Em terceiro lugar, uma história, seja ela comprida ou curta, pode ser escrita na primeira pessoa, e, também neste caso, o narrador pode ser o protagonista ou apenas um observador. O primeiro desses métodos tem sido grande favorito dos autores, desde que se começou a escrever ficção e alguns grandes romances foram escritor dessa forma. Sempre gozou de grande estima na narração de aventuras. Tem muita vivacidade. Sua forma direta é sedutora. Com efeito, quem poderia conhecer melhor os fatos do que aquele que foi seu ator principal? Demais, o efeito de verossimilhança que daí resulta é incomparável. Sempre teve, porém, um pequeno inconveniente: parecia um tanto impróprio de um herói contar seus atos de bravura comprazendo-se nos pormenores e era-lhe difícil expor as conquistas de corações femininos que lhe valeram o seu encanto pessoal e a sua galanteria. Os escritores esfalfavam-se por mostrar, através da boca de um herói, que este era valente, belo, inteligente e generoso. Mas o maior defeito do processo estava em que o narrador tinha grande dificuldade para ganhar vida. Coisa singular: embora ele falasse, amasse, lutasse, estivesse constantemente agindo e contando o que fazia, seus contornos não se definiam. As pessoas a quem encontrava podiam ser criaturas vivas, fáceis de reconhecer, fortemente individualizadas, enquanto ele permanecia estranhamente vago. Tomemos um exemplo apenas: David Copperfield (7) é, sem dúvida, a figura menos notável da vasta galeria em que se diz a personagem principal. Talvez isso não tivesse grande importância em se tratando de livros de aventuras: sentimo-nos tão empolgados pelo que acontece a Gil Blas que não nos preocupamos com o fato de nunca chegarmos a descobrir que espécie de homem ele é na realidade. Quando, porém, o interesse de escritores e leitores começou a se voltar para o romance psicológico, esse defeito tornou-se sério. Quando nossa atenção se focaliza nos estados mentais de preferência aos fatos físicos, não ficar individualizando o protagonista é uma imperfeição fatal. É a isso que atribuo o ter caído em desfavor, nestes últimos tempos, o romance escrito na primeira pessoa hipoteticamente pela personagem principal. 

Só nos resta considerar, pois, o método em que o narrador não é parte essencial da história, mas apenas uma testemunha. É de acordo com ele que estão escritos os contos contidos neste livro. É verdade que, como o método Seu-Amigo-Carlos, expõe o narrador a assumir a aparência de um ocioso intrometido e se ele logra a verossimilhança visada, de forma que o leitor aceite como a mais santa verdade o que lhe dizem, afigura-se  muitas vezes aos ingênuos que ele está traindo indignamente segredos alheios. Esta é uma acusação que ele deve estar preparado para receber de bom grado. Por outro lado, como não conta nada a respeito de si mesmo, não há ofensa à modéstia e, visto que o leitor não precisa conhecer coisa alguma acerca do narrador, o fato de ele ser um simples manequim não tem importância. O método também tende a estabelecer intimidade entre leitor e escritor. Permite a este introduzir na história um pouco do encanto peculiar do ensaio. Será uma qualidade ou um defeito? Isso é questão de opinião. Quanto a mim, parece-me que quando o fazemos com felicidade, isso estabelece um clima de palestra, um certo “sans façon” capaz de aliviar a tensão de uma história construída em rígida obediência às regras. Também aqui o escritor não tem pretensões à onisciência: limita-se a contar o que sabe e, quando o móvel de uma ação lhe é obscuro ou desconhece um fato, confessa-o francamente. Pode, assim, dar à história um ar de plausibilidade que de outra forma talvez lhe faltasse. 

Descobriram os romancistas que é possível emprestar à revelação gradual do caráter de uma personagem toda a emoção de uma novela policial. É este um elemento relativamente novo na ficção e, para muitos, constitui o seu maior interesse. Se o romancista é onisciente, porém, está fazendo o leitor de bobo quando lhe oculta fatos importantes só para mantê-lo em suspense. Nada há mais exasperante do que ter de esperar trezentas páginas para descobrir uma coisa que o autor já conhecia desde o começo. Mas neste processo, como também no Seu-Amigo-Carlos, o escritor caminha de mãos dadas com o leitor. Nao lhe diz senão o que sabe e o leitor compartilha com ele a satisfação da descoberta gradual. 

Ele tem, no entanto, um grande defeito. Em toda história existem cenas a que nem o narrador nem Seu-Amigo-Carlos poderiam ter assistido e diálogos que não lhes seria possível ouvir. Embora se admita que os incidentes tenham sido relatados de forma que ele possa tornar a contá-los com bastante exatidão, é incrível que seja capaz de reproduzir, baseado no que ouviu de terceiros, as palavras textuais que uma pessoa disse a outra. Se for ao ponto de descrever o aspecto das personagens na ocasião em apreço e o que elas sentiam, o leitor estaca abruptamente, tomado de incredulidade. As conversações, ainda quando o narrador esteve presente e tomou parte nelas, são difíceis de aceitar. – Como é possível que ele se lembre de tudo isso? – perguntamos. Mas quando conta uma historia de forma indireta, isto é, quando transmite um caso que lhe foi narrado por outrem, não podemos crer que este narrador, um delegado de polícia, por exemplo, ou um capitão de navio, fosse capaz de se exprimir com tanta felicidade e tanta arte. Rudyard Kipling (8), pelo uso abundante da linguagem dialetal e de um modo de falar que tinha grandes visos de verossimilhança, tratava de encobrir ao leitor o admirável sentido da forma e o instinto quase milagroso do efeito dramático que possuíam os seus simples soldados. Ninguém, cultivou com mais meticuloso cuidado do que Henry James o método Seu-Amigo-Carlos. Alguns acharão, talvez, que não valia a pena dar-se tanto trabalho e que seria mais preferível fazer como Joseph Conrad (9), por exemplo, não tratando a convenção com mais respeito do que ela merece. O capitão Marlowe é inteiramente inverossímil e contudo o leitor razoável acredita nele. 

Toda convenção tem suas desvantagens. Estas devem ser disfarçadas na medida em que tal coisa for conveniente, mas quando não o podem ser, senão em detrimento de fatores mais importantes, torna-se forçoso aceitá-las. O autor pega então o leitor pelo gasganete e o obriga a engoli-las. Por sorte, encontra-o geralmente disposto a fazê de muito bom grado.

Notas:
(1) Guy de Maupassant (1850-1893) um dos maiores contistas de todos os tempos. Sua obra é conhecida pelas situações psicológicas e pela crítica social. Maupassant foi, nos últimos anos do século XIX, o escritor mais lido no mundo. Rico e famoso, ele teve muitos casos amorosos, mas a sífilis o atormentou por mais de uma década, causando pesadelos, angústia e alucinações. Em 1892, Guy de Maupassant tentou o suicídio. Morreu em Paris no ano seguinte, aos 43 anos de idade, sendo enterrado no cemitério de Montparnasse.
(2) Anton Tchecov (1860-1904) Um dos mais famosos novelistas e dramaturgos russos, considerado um dos mestres do conto moderno. Em 1888 foi publicado o seu romance "A Estepe". No ano seguinte a tuberculose se agravou e ele perdeu o seu irmão Nikolai, vítima de tifo e tuberculose, tornando-se melancólico e pessimista. Em 1904 faleceu na Alemanha, vítima de tuberculose. Foi sepultado no cemitério Novodevichy, em Moscou.
(3) Anthony Trollope (1815-1882) foi um dos mais respeitados novelistas ingleses da época vitoriana. A obra mais apreciada de Trollope, conhecida como As novelas de Barchester, gira em torno do condado imaginário de Barsetshire, mas ele também escreveu novelas penetrantes sobre conflitos políticos, sociais e sexuais de sua época.
(4) William Makepeace Thackeray (1811-1863) considerado como o segundo melhor novelista da literatura vitoriana, depois de Charles Dickens. Sua obra mais lida é A feira das vaidades (Vanity Fair). Nesta novela, que continua sendo muito lida, foi capaz de satirizar a natureza humana de forma suave e carinhosa.
(5) Gustave Flaubert (1821-1880) um dos mais famosos escritores franceses, prosador importante, marcou a literatura de seu país com a profundidade da análise psicológica e o senso de realidade. Também com o seu estilo marcante, em grandes romances (“Madame Bovary”, “A educação sentimental” e “Salambô”), que Flaubert descreveu, com lucidez, o comportamento social da época.
(6) Henry James (1843-1916) sua literatura tem três etapas: a primeira, na década de 1870, relata o confronto entre o Novo Mundo e os valores do Velho Continente; a segunda, ele escreveu novelas de conteúdo político e social, sobre reformadores e revolucionários. Depois publicou peças de teatro, encenadas sem êxito e voltou à prosa com "A Morte do Leão" e "A volta do parafuso". Na última e mais importante etapa, explorou a consciência humana. A prosa torna-se densa, a sintaxe intrincada, características de grandes obras como "As Asas da Pomba", "Os Embaixadores" e "A Taça de Ouro".
(7) David Copperfield, famoso romance de Charles Dickens (1812-1870).  A história narra a vida de David Copperfield da infância à maturidade. David nasceu em 1820, órfão de pai. Sete anos após, sua mãe se casa com Edward Murdstone. David não simpatiza com o padrasto, que o espanca. Muitos elementos descritos no livro se parecem com a vida de Dickens, sendo considerada a mais autobiográfica de suas obras. No prefácio da edição de 1867, Charles Dickens escreveu "… like many fond parents, I have in my heart of hearts a favourite child. And his name is David Copperfield".
(8) Rudyard Kipling (1865-1936) foi o primeiro britânico a receber o Prêmio Nobel de Literatura. Deve sua fama aos contos, fábulas e romances de aventura. Como jornalista na Índia, descreveu suas experiências em estilo impressionista e ganhou popularidade com os romances “O Livro da Selva” e “Kim”. Elogiava o imperialismo britânico e defendia a existência da Comunidade Britânica e a missão civilizadora de seus compatriotas. 
(9) Joseph Conrad (1857-1924) Józef Teodor Konrad Korzeniowski nasceu na Ucrânia, de família patriota, empenhada em libertar a Polônia do domínio russo. Em 1878 mudou-se para a Inglaterra, fez carreira na Marinha e ganhou cidadania inglesa, com o nome Joseph Conrad. Um dos maiores estilistas da prosa, Conrad nunca chegou a dominar a língua inglesa. Seus principais livros são: “Lord Jim”, “Nostromo”, “O Agente Secreto”, “Sob os Olhos Ocidentais” e “A Linha de Sombra”.
Postar um comentário