sexta-feira, 25 de julho de 2008

Platão Contra Homero - O valor educativo da poesia



“A educação pela Filosofia provou ser a única verdadeira. Fora deste, nenhum outro caminho conduz à meta, que é fundar o Estado dentro da própria alma.” (Platão, a República)

* O décimo e último livro da República é dedicado a uma nova análise da Poesia e do seu valor educativo. À primeira vista é estranho que Platão retroceda aparentemente ao estudo duma questão concreta, descendo do cume supremo atingido, donde se pode abarcar com o olhar todo o panorama do caminho percorrido; se realmente assim fosse, é evidente que o efeito só podia ser moderador. Sem embargo, como costuma acontecer em Platão, o problema da forma implica um profundo problema filosófico, razão por que é importante ver claro a respeito do método escolhido por ele aqui. É fácil de compreender, naturalmente, que a crítica da Poesia exposta por Platão a propósito da educação dos “guardiões” e na qual se formulam objeções à Poesia, com base numa idéia superior de Deus e numa moral mais alta, é uma crítica em que Platão, na forma dogmática de que tanto gosta, só apela para a “opinião correta” do leitor, sem lhe transmitir nenhum verdadeiro conhecimento acerca do princípio que se toma por base.
* Na educação posterior dos governantes, baseada já num saber puramente filosófico, a Poesia e a cultura musical não desempenham papel importante, razão pela qual Platão não teve até agora ocasião de dizer a sua última palavra acerca da missão educativa da Poesia, do ponto de vista da Filosofia, isto é, do puro conhecimento da verdade. Para isso era preciso partir da teoria das idéias, que, entretanto se introduzira no diálogo como tema fundamental da educação dos governantes. Portanto, justifica-se absolutamente que Platão examine uma vez mais, sobre esta base, a questão da Poesia. No entanto, o essencial é darmo-nos conta porque é precisamente aqui que Platão trava esta última batalha decisiva entre a Filosofia e a Poesia. Estamos preparados para a compreensão desta faceta, pela consciência de que toda investigação sobre o Estado perfeito, incluindo a vasta inquirição das formas de degenerescência do Estado, não é realmente, como o próprio Platão o proclama no início, mais do que um meio para pôr em relevo a estrutura moral da alma e a cooperação entre as suas partes, projetando-as no espelho amplificador do Estado. É por isso que a hierarquia da Paidéia inclui também os livros que tratam das espécies de constituições e dos tipos de alma correspondentes.
*É só a partir deste ponto de vista que compreendemos porque é que a investigação culmina, finalmente, na fundação do “Estado em nós”, da personalidade humana, objetivo de toda a obra. No decurso da educação orientada para a cultura dos “guardiões” e dos guerreiros, a qual inclui também a antiga Paidéia musical, elevamo-nos a forma de cultura filosófica que aspira a modelar o espírito dos governantes, mediante o conhecimento da verdade e da norma suprema. Esta educação pretende dar à alma, como fundamento, a ordem e a lei que dentro dela própria vigoram, isto é, o que na sua estrutura interna e no seu modo de ação é semelhante ao Estado. Existe a mais estreita afinidade entre esta concepção da essência da missão educativa e o logos filosófico, que Platão salienta aqui como a forma suprema da cultura. A antítese com a Poesia, que era meramente relativa na fase da educação dos “guardiões”, ganha aqui caráter absoluto. As forças ordenadoras e normativas da alma, personificadas na Filosofia, enfrentam o elemento pós-vivencial e imitativo que nela existe e do qual brota a Poesia, como sendo simplesmente superiores, e exigem-lhe que abdique ou se submeta aos preceitos do logos. Do ponto de vista “moderno”, que encara a Poesia como simples literatura, é difícil de compreender esta exigência, que parece uma ordem tirânica, uma usurpação de direitos alheios. Mas à luz da concepção grega da Poesia como representante principal de toda a Paidéia, o debate entre a Filosofia e a Poesia tem necessariamente que recrudescer no momento em que a Filosofia ganha consciência de si própria como Paidéia e por sua vez reivindica para si o primado da educação.
*Este problema converte-se forçosamente num ataque a Homero, entre outras coisas porque toda a gente ama este poeta, e portanto se compreenderá melhor quanto é sério o problema levantado, se o ataque incidir sobre ele, o poeta por antonomásia. É por isso que o Sócrates platônico se desculpa por se atrever a expor assim à crítica os seus pensamentos íntimos sobre a Poesia. Dissuadiram-no até agora de professar publicamente estas opiniões uma timidez e um respeito santos para com o poeta, sentidos desde criança. Platão previne com estas palavras aqueles que poderiam sentir-se inclinados a acusá-lo de incompreensão ou falta de respeito. Mas não é só por se acentuar com isso o paradoxo filosófico que Homero é posto como alvo do ataque; é-o por outras duas razões. Platão enuncia a primeira no início do seu estudo onde diz de Homero que é o mestre e o chefe da tragédia. É contra a Poesia trágica que é dirigida a força principal do ataque, pois é nela que se manifesta mais vigoroso o elemento “patético” impulsionador da ação que a Poesia exerce sobre a alma. A segunda razão é Homero ter de ocupar necessariamente o lugar central em qualquer debate sobre as pretensões educativas da Poesia. Ele era como que a personificação da Paidéia, no seu sentido tradicional.
* Esta concepção era já muito antiga, como pusemos a claro mais acima. Já no séc. VI a.C., Xenófanes, o censor de Homero, fala dele como da fonte onde todos foram beber a sua sabedoria, desde o início. O movimento espiritual dos sofistas, que em toda a parte punham conscientemente em relevo o ponto de vista educativo, deu novo pábulo a esta concepção. Cerca do final da sua polêmica, vê-se clarissimamente que Platão se refere a um determinado escrito ou discurso sofístico em que se defendia a tese de que Homero era o educador da Grécia inteira. Esta idéia fundamentava-se na conversão do poeta em mestre duma cultura enciclopédica universal, capaz de englobar todas as artes. Opiniões deste teor deviam, àquela data, andar na ordem do dia. É evidente, e o Íon de Platão o mostra, que tais opiniões desempenham também o seu papel na interpretação de Homero pelos rapsodos, que enalteciam e explicavam o seu poeta. Ainda na obra de Plutarco sobre a vida dos poetas, pertencente à época imperial, deparamos com igual feição realístico-escolar de considerar a Poesia homérica a fonte de roda a sabedoria. Por conseqüência, é contra a opinião geral dos Gregos acerca do valor propedêutico da Poesia em geral e da Poesia de Homero em particular, que Platão se bate.
* Encontramo-nos aqui numa viragem da história da Paidéia grega. A luta trava-se em nome da verdade contra a aparência. Recorda-se de passagem que a Poesia imitativa devia ser desterrada do Estado ideal que se pretende fundar. E como nunca nem em parte alguma, talvez, se poderá vir a realizar o Estado ideal, como Platão acaba de declarar, o repúdio da Poesia não significa tanto o seu afastamento violento da vida do Homem, como uma delimitação nítida da sua influência espiritual para quantos aderirem às conclusões de Platão. A Poesia estraga o espírito dos que a ouvem, se eles não possuírem o remédio do conhecimento da verdade. Isto quer dizer que se deve fazer descer a Poesia para degrau mais baixo. Continuará a ser sempre matéria de gozo artístico, mas não lhe será acessível a dignidade suprema: a de se converter em educadora do Homem. O problema do seu valor aborda-se no ponto que necessariamente tinha de ser o decisivo para Platão, o da relação entre a Poesia e a realidade, entre a Poesia e o verdadeiro Ser.
* O ataque de Platão é dirigido principalmente contra a Poesia imitativa. Mas o que é a imitação? Platão esclarece-o pelo processo habitual, partindo da hipótese das idéias, que designam a unidade na pluralidade, operada no pensamento. As coisas que os sentidos nos transmitem são reflexos das idéias, isto é, as cadeiras ou as mesas são reflexos ou imitações da idéia de cadeira ou de mesa, que é sempre única. O carpinteiro cria os seus produtos, tendo presente a idéia, como modelo. O que ele produz é a mesa ou a cadeira, não a sua idéia. Uma terceira fase da realidade, além das da idéia e da coisa transmitida pelos sentidos, é a que representa o produto da arte pictórica, quando um pintor pinta um objeto. É precisamente com esta fase que Platão compara a relação que existe entre a Poesia e a verdade e entre a Poesia e o Ser. O pintor toma como modelo as mesas ou as cadeiras perceptíveis aos sentidos feitas pelo carpinteiro, e imita-as no seu quadro. Tal como alguém que pretendesse criar um segundo mundo, colocando a imagem deste no espelho, assim o pintor se limita a traçar a simples imagem refletida das coisas e da sua realidade aparente. Portanto, encarado como criador de mesas e cadeiras, é inferior ao carpinteiro, que fabrica mesas e cadeiras de verdade. E o carpinteiro é, por seu turno, inferior a quem criou a idéia eterna da mesa ou da cadeira, a qual serve de norma para fabricar todas as mesas a cadeiras do mundo. É Deus o criador último da idéia. O artífice produz só o reflexo da idéia. O pintor é, assim, o criador imitativo dum produto que, à luz da verdade, ocupa o terceiro lugar. O poeta pertence à mesma categoria: cria um mundo de mera aparência.
*De todas as artes que intérpretes atribuem a Homero, só uma interessa a Platão, sob este ponto de vista, a única que ele Poe em relevo, para verificar se o poeta a possuía realmente. Não perde tempo a indagar se, por exemplo, Homero era um grande poeta, como o povo afirma, nem se tinha realmente todos aqueles outros conhecimentos que nele celebram; só lhe interessa saber se possuía a arte política e se era realmente capaz de educar os homens. Pergunta ao poeta, como num exame com todas as regras, se alguma vez melhorou uma cidade ou lhe aperfeiçoou as instituições, como os antigos legisladores, ou se ganhou uma guerra, ou se, como Pitágoras e os seus discípulos, ofereceu aos homens, na vida privada, o modelo de uma vida nova. Mas é indubitável que nunca chegou a congregar em redor de si, como os sofistas, os mestres da educação contemporâneos, discípulos e seguidores dedicados a cantar-lhes a fama. Isto era, sem dúvida, uma sátira manifesta aos sofistas, que consideravam Homero e os poetas antigos como seus iguais, à maneira como Protágoras o faz, por exemplo, no dialogo platônico do seu nome. Segundo Platão, desde Homero os poetas não fizeram mais que representar as imagens reflexas da Arete humana, sem, porém, captarem a verdade, razão por que não podiam ser autênticos educadores dos homens.
*A Poesia é como o esplendor juvenil dum rosto humano, que de si não é belo e cujos encantos, por isso, desaparecem com a juventude. Esta idéia ilumina com esplendor fulgurante o lugar que a Poesia ocupa na concepção platônica. O verdadeiro fator comparativo é a juventude, o estado do primeiro florescimento e da graça mais completos, o qual tem o seu momento certo na vida do individuo e constitui simplesmente, enquanto tal, um prazer para os outros. Mas quando declina, a juventude deve ceder o lugar a outras vantagens, e é então que muitas vezes se revela que o seu possuidor carece de verdadeira beleza. É a consciência profunda de que a Poesia não é uma planta que floresça em qualquer estação, idéia que pela primeira vez começa a desenhar-se no espírito grego. Também a vida dos povos tem a sua juventude e a imaginação poética é a sua companheira mais grata. Se considerarmos demasiado abstratamente as reflexões de Platão sobre as relações entre a Poesia e a Filosofia, encontraremos nelas algo de chocante para nós, ainda que suponhamos serem perfeitamente exatas.
*Todavia, em todas as verdades proclamadas por Platão surpreende-nos a assombrosa e não raras vezes profética capacidade de intuição que, sob a forma de conceitos gerais se adianta às necessidades fatais do espírito grego. A elevação do eu moral acima do Estado em decomposição, a substituição do espírito criador pela forma poética da criação, o retorno da alma a si própria, são tudo rasgos que só um gênio de primeira grandeza, como Platão, podia captar como visão duma nova realidade. É certo que a um homem como ele tinha que ser especialmente grata a generosidade do pensamento para o qual a Poesia não encerra a beleza autentica e imperecível, que só a verdade possui. Segundo Platão, o poeta não é homem de saber, no sentido filosófico da palavra, nem sequer de verdadeira opinião, no sentido dos pragmáticos não filósofos, mas imita a vida na medida em que a multidão a considera boa e formosa. A sua obra é o reflexo dos preconceitos e ideais dominantes, mas falta-lhe a verdadeira arte da medida, sem a qual não é possível sobrepor-se à aparência. Em todo este diálogo é notável a ironia de Sócrates, que veste as suas profundas reflexões com a conhecida roupagem pedante e deixa ao leitor muita coisa em que pensar, com a escolha dos exemplos das mesas e das cadeiras.
* Mas a objeção fundamental contra a Poesia assenta, do ponto de vista da educação, em algo diferente disto. Não é à parte melhor da alma, à razão, que ela fala, mas sim aos instintos e às paixões, que espicaça. O homem moralmente superior domina os seus sentimentos e, quando se vê submetido a fortes emoções, esforça-se por refreá-las. A lei e a razão mandam pôr um freio às suas paixões, mas a paixão impele-o a ceder à dor. A paixão e a lei são potências contraditórias entre si. Os preceitos da lei apóiam a parte pensante da alma na resistência desta contra os instintos. Mas a Poesia coloca-se na fase infantil e, à semelhança da criança, que, ao sentir uma dor, leva a mão à parte dolorosa do corpo e chora, também ela acentua ainda mais o sentimento de dor que representa, imitando-a. Desse modo compele o homem a entregar-se com toda a força a esta sensação, em vez de habituar a alma a dedicar-se com maior rapidez possível à restauração das partes afetadas pelo mal e a substituir as queixas pela cura. Estes dois conceitos caracterizam maravilhosamente o antagonismo entre o ethos da Poesia trágica e o da filosofia platônica. Platão explica a tendência da Poesia a provar em toda a plenitude os sentimentos dolorosos, através do seu natural interesse pela parte passional da vida da alma humana. Esta parte oferece ao intérprete imitativo, que aspira a lograr simultaneamente variedade e força de expressão, possibilidades muitíssimo maiores que a parte pensante da alma, com seu ethos racional e tranqüilo, sempre inalterável. E isto se aplica especialmente às representações que se dirigem a um grupo numeroso de espectadores, que a eles assistem num estado de ânimo solene. É que a parte passional da alma está sempre excitada e aparece sob múltiplas formas e, portanto, é mais fácil de imitar.
*De tudo isto conclui Platão que o poeta tem sobre a alma do Homem uma influência ruim, pois desperta, alimenta e robustece nela as forças piores, matando, em contrapartida, o espírito pensante, à semelhança dos governantes que robustecem os piores elementos dentro do Estado. Platão recorda uma vez mais que é esta a razão porque desterrou do seu Estado ideal a Poesia imitativa; mas não se contenta com esta medida de tipo policial (na qual tendemos facilmente a pensar antes de mais, quando interpretamos o seu Estado como o projeto de fundação dum Estado real) e orienta o seu conhecimento pura e exclusivamente para a meta da educação do individuo. É só esta meta que ele conserva no final do livro IX, deixando de lado, como secundário, o problema da realização do Estado perfeito. O que ele censura ao poeta imitativo é evocar um Estado mau na alma de cada individuo, ao discursar ao gosto do que nele há de irracional. Esta imagem é tirada da tão impugnada prática dos demagogos, que adulam a multidão. O poeta torna a alma incapaz de distinguir o importante do não importante, pois as mesmas coisas representa-as às vezes como grandes e outras vezes como pequenas, conforme o fim que tem em vista em cada caso. E é precisamente esta relatividade que prova que o poeta cria ídolos e não reconhece a verdade.
*A censura mais grave é a de que a Poesia corrompe os nossos juízos de valor. Ao escutarmos as palavras de um herói trágico que se queixa dos seus males e se porta com paixão, sentimos prazer e entregamo-nos inteiramente nas mãos do poeta. Seguimo-lo arrastados pelo movimento de simpatia dos nossos sentimentos e celebramos como bom poeta aquele que melhor sabe produzir em nós estas emoções. A “simpatia” é a essência de todo o efeito poético. Na nossa vida privada, porém, quando sofremos qualquer golpe duro do destino, seguimos precisamente o contrário dessa tendência a submetermo-nos às nossas sensações mais moles. Nestes casos, achamos pouco viris os sentimentos que admiramos, quando os vemos expressos pelos personagens do poeta. Estamos assim em presença do estranho fenômeno de na Poesia nos alegrar o espetáculo dum homem que na realidade não gostaríamos de ser e com o qual nos envergonharíamos de nos ver identificados. Por outras palavras: o nosso ideal moral do Homem está em franca oposição com os nossos sentimentos poéticos. A natural necessidade de chorarmos e nos lamentarmos, que na vida sufocamos pela violência, é satisfeita pelo poeta e sentimo-la nele como um prazer. A parte verdadeiramente melhor do nosso ser, se estiver mal educada pela razão e pelo hábito, cede neste caso e abandona a sua vigilante resistência para dar rédea solta à necessidade de se lamentar. E sente-se plenamente desculpada, pois se trata de chorar penas alheias e não as próprias, e considera até pura vantagem estas sensações de prazer nascidas do fato de partilhar aquelas penas. A simpatia é na Poesia trágica o que o sentimento do ridículo é na Poesia cômica: a fonte da ação exercida no ânimo de quem ouve. Todos nos rendemos a este encanto, embora sejam poucos os que advertem a insensível mudança que no seu próprio ser se opera em virtude do fortalecimento destes impulsos pela Poesia.
*É por todas estas razões que Platão nega a Homero a categoria de educador do povo grego, a qual geralmente se lhe reconhecia. Ele é sem dúvida o maior gênio poético e o primeiro trágico; mas é dentro dos limites de sua competência que o devemos amar e respeitar. No Estado perfeito só cabem os hinos dirigidos aos deuses e os louvores em sua honra dos homens bons e excelentes. Platão não queria ser suspeito de pedantismo. Acha que o antagonismo da Poesia e da Filosofia é de si antiqüíssimo. Conhece por experiência própria a magia da Poesia. Quer dar-lhe a ela e aos poetas ocasião de se defenderem e de provarem que são não só agradáveis, mas úteis à vida e ao Estado, e promete ouvir-lhes os argumentos com a maior atenção. Sem dúvida já os sofistas, nos seus escritos em prosa, tinham desenvolvido estas defesas de Homero e da Poesia. E é provável que tenha sido aquela mesma obra sofística a cuja existência nos referimos acima, a que Platão tinha em mente, e a qual pela vez primeira, aplica a Homero esta pauta: omne tulit punctum qui miscuit utile dulci.
*Platão compara a Poesia a um velho amor, que não logramos vencer, mesmo quando chegamos a considerá-lo nocivo e com o qual por fim rompemos violentamente. Desejaríamos ser amáveis para ele e que, nesta prova, se mostrasse o melhor e o mais verdadeiramente possível. Mas se realmente não consegue justificar-se, acabamos por nos escudar com aquele sóbrio conhecimento a que chegamos e que usamos como fórmula incantatória (sic) para nos armarmos contra a velha magia. E assim dizemos de nós para nós que a Poesia deste tipo nunca deve ser tomada a sério, mas devemos estar prevenidos contra ela, pelo receio de que ela destrua o “Estado dentro de nós”. “É única e exclusivamente pelo grau em que ela sabe aproximar a alma desta forma interior que se mede o valor educativo da Poesia”.
* WERNER JAEGER - PAIDEIA – A FORMAÇÃO DO HOMEM GREGO (“DIE FORMUNG DES GRIECHISCHEN MENSCHEN”) - WALTER DE GRUYTER & CO. BERLIN 1936 - TRADUÇÃO DE ARTHUR M. PARREIRA - LIVRARIA MARTINS FONTES EDITORA LTDA. – 1.343 pgs. – SÃO PAULO 1979
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