quarta-feira, 12 de março de 2008

Redescobrindo Salieri


Antonio Salieri (Legnago 1750-Viena 1825), músico italiano, Compositor Oficial da Corte de José II, Imperador da Áustria, foi bastante popular na  sua época. Há lendas a respeito do seu relacionamento com Mozart, com quem conviveu em Viena até a morte deste. Criado no seio de uma família próspera de comerciantes, Salieri estudou violino e espineta com seu irmão Francesco, que era aluno de Giuseppe Tartini. Após a morte prematura de seus pais, mudou-se para Pádua e a seguir para Veneza, onde estudou com Giovanni Battista Pescetti. Nesta cidade conheceu Florian Leopold Gassmann em 1766, que o convidou a servir na corte de Viena, onde o instruiu em composição baseada na obra de Johann Joseph Fux, Gradus ad Parnassum. Permaneceu em Viena até ao fim da sua vida. Em 1774, após a morte de Gassmann, Salieri foi nomeado Compositor da Corte pelo Imperador José II, onde conheceu a sua esposa, Therese von Helfersdorfer, dessa união nasceriam oito filhos.
Em 1788 Salieri tornou-se Maestro da Orquestra Imperial (Imperiales Königliches Kapellmeister), cargo que manteve até 1824. Foi presidente do "Tonkünstler-Societät" (Sociedade dos Artistas Musicais) de 1788 a 1795, vice-presidente após 1795 e responsável pelos seus concertos até 1818. Alcançou elevada posição social, sendo freqüentemente associado a outros célebres compositores, como Joseph Haydn ou Louis Spohr. Desempenhou papel importante na música clássica do século XIX, ensinou compositores como Beethoven, Carl Czerny, Johann Hummel, Franz Liszt, Giacomo Meyerbee, Franz Schubert e Franz Xaver Sussmayr.
Foi professor também do filho mais novo de Mozart, Franz Xaver. Salieri foi enterrado no Matzleinsdorfer Friedhof em Viena. No seu serviço fúnebre, o seu próprio Réquiem em Dó menor - composto em 1804 - foi executado pela primeira vez. Posteriormente seus restos mortais foram transferidos para o Zentralfriedhof. (Texto: Wikipédia)
O nome de Salieri chegou até nós em virtude de um retrato histórico que confronta Salieri – músico experimentado e dominante na corte – a Mozart, jovem e talentoso compositor que buscava espaço na sociedade vienense. A vida breve de Mozart, sua morte em abandono, o funeral barato, a tumba sem identificação no cemitério de São Marcos (ninguém sabe onde ele foi enterrado), alimentou a capacidade inventiva dos fãs da música, cujo ápice foi a notícia de que Salieri teria sido o porta-voz da misteriosa encomenda do Réquiem de Mozart, magistralmente reconstruído e finalizado por seu ex-aluno Franz Sussmayer, não esqueçamos.
Mas na verdade o comprador do Réquiem era o Conde Welsegg, que tinha o hábito de encomendar músicas para depois mandar executá-las com o seu nome.
Outra suspeita levantada, que passou para o folclore histórico – essa até certo ponto criminosa –, atesta que Salieri envenenou a Mozart para proteger sua posição na Corte da ascensão fulminante daquele intruso, talentoso, sarcástico e brincalhão. Tantos foram os boatos que surgiram após a morte de Mozart que a verdade ficou atolada nas lamas da sepultura, até hoje desconhecida, onde seu corpo foi enterrado.
Toda essa insensatez resultou na peça do escritor Peter Shaffer, que virou filme sob a batuta de Milos Formam e rendeu algumas estatuetas na festa do Oscar de 1984. Ou seja, tudo é carnaval.
Ouvir hoje as músicas de Salieri é descobrir um compositor longevo que não se perdeu no caminho e soube compartilhar seu conhecimento com outros talentos que iniciaram a transição musical de Bach a Beethoven, permitindo a ascensão de Brahms, Bruckner, Richard Strauss, Stravinsky, Mahler, Debussy, Manuel de Falla e outros bem mais próximos.
Graças aos bons serviços do Ares e das mumunhas do P2P, a gente já consegue ouvir as obras de Salieri. Encontrei na rede, com certa facilidade, o Concerto para Flauta e Oboé, La Tempesta di Mare, a Piccola Serenata em si bemol maior, a Variazioni Sulla Folia di Spagna, a Sinfonia Veneziana in do, a Abertura Il Moro e o belíssimo Réquiem in do, que flui com leve beleza, justamente executado pela primeira vez em seu próprio féretro.
Mas sei que existe por aí um belíssimo CD gravado pela cantora italiana Cecilia Bartoli só com canções de Salieri. Aliás, Cecilia Bartoli se distingue das demais musas da ópera justo por redescobrir e eternizar as belíssimas árias de tantos compositores hoje comercialmente esquecidos. Ave! Cecilia Bartoli! É uma obra gigante que merece louvores e reconhecimento.
Com isso tudo ganha a música e os demônios que não sabem viver sem as estranhas notas que os compositores conseguiram harmonizar para nos dar alegria.
Longa vida a Mozart... e a seu legendário "desafeto" Antonio Salieri!
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