domingo, 24 de fevereiro de 2008

O Diário Bazofiano de Reinhard Lackinger

O taverneiro, julgando-se meio druída, está tendo nova poção mágica à base de lúpulo para dar à cerveja um gosto de antigamente. Com tanta coisa para fazer, ele não se importa que eu use este espaço para narrar nossas aventuras na Bazófia Oriental.
O
vôo até Sdansk, capital da Bazófia Oriental foi um pinga-pinga danado. Em Madri embarcaram turistas tipo farofeiros, com bebidas na mão, falando alto... Em Milão, Frankfurt, Viena...outros tantos. Um cidadão bazofiano sentado na poltrona ao meu lado, se mostrava visivelmente contrariado.
- Estão todos indo para o "Piscis-Valis", o "Peixeval" de Sdansk... - disse ele - A festa popular mais animada de toda Bazófia Oriental, frequentada também pelos esbornianos e os malegos...-
- Malegos?-, perguntei.
- Sim, Malegos... cidadãos da Malícia... outro país à beira do Mar Asmo -, explicou nosso companheiro de viagem.
- Uma festa dessas, que atrai muitos turistas, deve gerar um monte de divisas, uma fortuna em euros para o seu país.
- Antes fosse! Na verdade, esses turistas tipo "pé de chinelo" vêm para a Bazófia Oriental porque a passagem é barata. O governo da Bazófia Oriental paga a diferença... paga caro para essa gentalha fazer turismo sexual nas ruas de Sdansk.
- Estou sentindo uma pontinha de má vontade de sua parte para com esses viajantes, ou estou enganado?
- A minha má vontade tem outro endereço... O sultão da Bazófia Oriental e a agência oficial do turismo bazofiano por explorar criminosamente os lugares mais lindos do litoral do Mar Asmo, causando depredação e prejuízos para os moradores e comerciantes locais que pagam impostos para serem expulsos de suas residências e estabelecimentos.
- A julgar pelos anéis de ouro e diamantes em seu dedo em riste, o senhor deve ser um dos comerciantes atingidos...
- Sou.
- Entendo.
- Na verdade, o problema não são só os turistas. É a desordem que encontram. A baderna criada pelos ximbas e os puliça. Ximbas das tribos "Sem-Eira", "Sem-Beira"... gente da tribo "come badofe", que vive em tendas ao redor de uma fogueira, onde cozinham e dormem... os "Sem Sala". Tão logo começam a erguer os palcos para shows, hordas de "Sem Sala" invadem nossas ruas. Ambulantes, trazendo caixas e mais caixas de isopor, transformando os nossos lindos bairros em terreno dos "Sem Sala". O que me desagrada é que o nosso sultão favorece os "Sem Sala" em detrimento do comércio legal instalado na área. Parece que a gente tem mais talento para "Sem Sala" do que para Casa Grande... que fica restrita a meia dúzia de Shopping Centers -, disse o cidadão bazofiano... da etnia dos bonachonitas. Como a gente, ao chegar no Aeroporto Internacional Grão Mufti Hadschi Halef Omar Ben Hadschi Abbul Abbas Ibn Hadschi Dawud Al Gossarah pegaria imediatamente a van para a Esbórnia Superior, não dei muita importância para o que o bazofiano disse... nem me dei ao trabalho de traduzir as queixas dele para o taverneiro Reinhard. Naquele momento ainda não sabíamos que teríamos que pernoitar e passar mais de um dia em Sdansk...
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Gostou? Peça mais: reinhard@lackinger.com.br
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